Antes de pedir um crédito pessoal, existe um indicador que pode fazer toda a diferença na sua saúde financeira: a taxa de esforço. Conhecer este valor ajuda-o a perceber se o seu orçamento consegue suportar uma nova prestação mensal sem comprometer as despesas essenciais do dia a dia.
Neste artigo explicamos o que é a taxa de esforço, como a calcular e quais os valores que pode utilizar como referência antes de avançar com um pedido de crédito pessoal.

O que é a taxa de esforço?
A taxa de esforço corresponde à percentagem do rendimento mensal líquido que é utilizada para pagar prestações de créditos.
Este indicador é considerado pelas instituições financeiras na avaliação da capacidade de um cliente para assumir um novo financiamento. Quanto maior for o peso das prestações no rendimento disponível, menor será a margem financeira do orçamento.
No entanto, calcular a taxa de esforço também é importante para si. Permite perceber se está a assumir um compromisso financeiro sustentável e adequado ao seu orçamento.
Como calcular a taxa de esforço?
O cálculo é bastante simples.
A fórmula é:
Taxa de esforço = (Total das prestações mensais ÷ Rendimento líquido mensal) × 100
Exemplo prático
Imagine que o seu agregado familiar tem um rendimento líquido mensal de 2.000 €.
Atualmente paga:
- Crédito automóvel: 220 €
- Cartão de crédito: 80 €
- Crédito pessoal: 100 €
Total das prestações mensais: 400 €
O cálculo será:
(400 € ÷ 2.000 €) × 100 = 20%
Neste caso, a taxa de esforço atual é de 20%.
Se pretende pedir um novo crédito pessoal, deve fazer também uma segunda simulação, acrescentando ao cálculo o valor estimado da nova prestação. Desta forma, consegue perceber qual poderá ser a sua taxa de esforço depois da contratação.
Qual é a taxa de esforço recomendada?
Não existe uma percentagem única que possa ser considerada ideal para todas as pessoas ou agregados familiares. A capacidade para suportar uma determinada prestação depende dos rendimentos, das despesas regulares, dos créditos existentes, da composição do agregado e da margem disponível para fazer face a despesas inesperadas.
Ainda assim, como referência meramente indicativa para a gestão do orçamento familiar, podem considerar-se os seguintes intervalos:
- Até 30% – Geralmente, representa uma maior margem financeira no orçamento.
- Entre 30% e 35% – Pode ainda representar uma situação equilibrada, dependendo das restantes despesas e encargos do agregado.
- Entre 35% e 40% – Exige maior atenção à capacidade financeira e às restantes despesas mensais.
- Acima de 40% – Representa um peso mais elevado das prestações no rendimento e merece uma análise particularmente cuidadosa antes de assumir novos encargos.
Estes valores são apenas referências indicativas de gestão financeira. Não constituem limites legais, critérios universais de aprovação nem regras obrigatoriamente utilizadas pelas instituições financeiras. Cada situação deve ser analisada individualmente.
Importa ainda distinguir estas referências do limite prudencial definido pelo Banco de Portugal.
Desde 1 de agosto de 2026, nos novos contratos abrangidos pela Recomendação Macroprudencial do Banco de Portugal, o rácio entre o total das prestações mensais dos empréstimos e o rendimento mensal líquido, conhecido como DSTI (debt service-to-income ratio), não deve, em regra, ultrapassar 45%.
Isto significa que o total das prestações, incluindo a prestação do novo crédito que se pretende contratar, não deve, em regra, exceder 45% do rendimento mensal líquido nos contratos aos quais este limite se aplica.
Contudo, este valor não deve ser interpretado como uma taxa de esforço ideal nem como uma garantia de aprovação abaixo dos 45%. Existem exceções e contratos aos quais este limite não se aplica, e cada instituição financeira continua a ter de avaliar individualmente a solvabilidade do cliente.
Além da taxa de esforço, são considerados outros fatores, como a situação profissional, os rendimentos e despesas regulares, a informação constante da Central de Responsabilidades de Crédito do Banco de Portugal e outras circunstâncias que possam afetar a capacidade de pagamento.
Que prestações devem ser incluídas?
Ao fazer uma estimativa da sua taxa de esforço, deve considerar os encargos mensais associados aos créditos que suporta, incluindo, quando aplicável:
- Crédito à habitação;
- Crédito pessoal;
- Crédito automóvel;
- Cartões de crédito;
- Crédito consolidado;
- Linhas de crédito ou outros financiamentos.
É importante utilizar os valores que efetivamente representam encargos mensais com os seus créditos.
Se está a calcular a taxa de esforço antes de pedir um novo crédito pessoal, acrescente também a prestação mensal estimada desse financiamento.
Tenha em conta que este cálculo permite obter uma estimativa para a gestão do seu orçamento. A avaliação de solvabilidade realizada pela instituição financeira é mais abrangente e considera outros elementos relativos aos seus rendimentos, despesas e situação financeira.
Porque é importante calcular a taxa de esforço antes de pedir crédito?
Conhecer este indicador permite-lhe:
- Avaliar se consegue suportar uma nova prestação;
- Reduzir o risco de sobre-endividamento;
- Perceber o impacto do novo crédito no orçamento;
- Planear melhor as finanças familiares;
- Pedir apenas o montante de que realmente necessita.
Uma decisão bem planeada hoje pode ajudar a evitar dificuldades financeiras no futuro.
Além disso, fazer este cálculo antes de apresentar um pedido permite-lhe analisar o crédito não apenas em função do montante que pretende obter, mas também do impacto que a nova prestação terá todos os meses no seu orçamento.
E se a minha taxa de esforço for elevada?
Se a sua taxa de esforço for elevada, isso não significa necessariamente que não possa obter financiamento. No entanto, é aconselhável analisar cuidadosamente a sua situação antes de assumir um novo compromisso financeiro.
Algumas possibilidades podem passar por:
- Reduzir o montante solicitado;
- Escolher um prazo de pagamento adequado ao orçamento;
- Liquidar créditos de menor valor antes de contratar um novo;
- Avaliar uma solução de consolidação de créditos, quando adequada;
- Analisar outras condições de financiamento disponíveis.
Uma prestação mensal mais baixa também não significa necessariamente que determinado financiamento tenha um custo global inferior. Por isso, é importante analisar o prazo, a TAEG, o MTIC e os restantes encargos associados às propostas disponíveis.
Uma análise personalizada pode ajudar a perceber quais as opções mais adequadas a cada situação.
A GT Crédito ajuda-o a tomar uma decisão informada
A GT Crédito, enquanto intermediário de crédito vinculado registado junto do Banco de Portugal sob o n.º 0000013, pode analisar o seu perfil financeiro e apresentar soluções de crédito pessoal das instituições financeiras com as quais mantém contratos de vinculação.
A prestação dos serviços de intermediação de crédito não tem custos para o cliente.
Antes de contratar qualquer financiamento, compare as condições das propostas disponíveis, esclareça todas as dúvidas e certifique-se de que a prestação mensal é compatível com o seu orçamento.
Um crédito responsável começa sempre por uma análise cuidada da sua situação financeira e da sua taxa de esforço.
Conclusão
Calcular a taxa de esforço é um dos passos importantes antes de pedir um crédito pessoal. Este simples cálculo permite perceber o peso que os créditos têm no seu rendimento e avaliar com maior clareza o impacto de uma nova prestação no orçamento.
Mais do que procurar uma percentagem específica, o objetivo deve ser garantir que continua a existir margem suficiente para suportar as restantes despesas do agregado e eventuais imprevistos.
Se pretende contratar um crédito pessoal, a equipa da GT Crédito pode analisar o seu perfil financeiro, apresentar as propostas disponíveis junto das instituições financeiras parceiras e ajudá-lo a compreender as diferentes condições para que possa tomar uma decisão informada.